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9 de março de 2015

Como Viajar com Milhas Aéreas


Viajar com milhas aéreas é uma excelente opção para você economizar em suas viagens. Utilizando-se de milhas você pode trocar por passagens aéreas e até mesmo diárias de hotel.Você Sabe Como Acumular Milhas Aéreas? 





A primeira maneira de acúmulo de milhas que vêm a cabeça da maioria das pessoas é através de um cartão de crédito internacional realizando altos valores de compras, e o pior, pagando taxas altíssimas de anuidade.

O que muitos não sabem é que dá para Acumular Milhas Aéreas sem Cartão de Crédito. Sim, há maneiras em que você não precisa gastar um centavo sequer como fazendo avaliações no TripAdvisor e respondendo questionários no site E-rewards

Os programas de milhagens possuem vários parceiros. O programa Multiplus da Tam é um dos que mais possuem esses parceiros e você poderá acumular milhas aéreas comprando em sites na internet, abastecendo em postos de combustíveis, hospedando-se em hotéis, etc. 

O primeiro passo para iniciar o acúmulo de milhas é cadastrar-se em sua companhia aéreas preferida, Multiplus da Tam, Smiles da Gol, Amigo da Avianca ou Tudo Azul da companhia Azul. 

Após se cadastrar no programa de sua preferência,veja a relação de parceiros e comece a acumular suas milhas.

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11 de agosto de 2014

A classe média e a corrida dos ratos


Há algum tempo tenho pensado na vida árdua da classe média brasileira. Recentemente, veio à tona nos meios de comunicação que o brasileiro trabalha cinco meses do ano somente para pagar impostos ao governo. E para que pagamos impostos no Brasil? Os altos tributos, aliás, um dos mais altos do mundo, deveriam financiar excelentes condições para a população, desde um sistema público de saúde decente, uma educação primorosa, segurança e infraestrutura de alto padrão. Mas onde, em qualquer recanto desse país essas condições podem ser vistas?

Robert T. Kiyosaki em seu livro Pai Rico Pai Pobre compara a classe média trabalhadora aos hamsters que vivem engaiolados correndo em uma roda que não leva a lugar algum.  E é exatamente essa a sensação que temos. 

Nós, a classe média brasileira, corremos, corremos, corremos e não conseguimos sair do lugar. Para que pagamos impostos? Questiono mais uma vez. Sem dúvida para subsidiar a corrupção, a mordomia dos políticos e as milhões de bolsas que o governo multiplicou de forma exponencial e que tem alimentado a preguiça e a inércia de muitos. Afinal muitos daqueles que hoje são dependentes das tantas bolsas não querem arranjar emprego a não ser que seja para ganhar altos salários sem fazer nada. 

Para que trabalhar se há quem lhes dê dinheiro de graça. E quem sustenta essa bancarrota? Nós, a classe média trabalhadora. 

O leão abocanha grande parte de nossa renda antes mesmo de a recebermos. E quando recebemos nosso salário, mal dá para cobrir nossas despesas básicas. Sim, despesas básicas, pois num país onde o transporte público não funciona, possuir um carro, por exemplo, tornou-se uma necessidade e uma despesa básica que o próprio governo incentiva isentando de impostos várias vezes às indústrias automobilísticas para baixar o preço dos automóveis e acelerar o consumo. Pouco importa se não há infraestrutura, pouco importa se as ruas das grandes cidades estão entupidas de carros, ora quanto mais carros, mais arrecadação. 

Aliás, o IPVA, famigerado Imposto Sobre Veículos Automotores é um dos mais altos do mundo e a menina dos olhos dos governos estaduais que geram grandes fortunas anuais aos cofres públicos e que só Deus sabe onde é investido, pois nós simples mortais não vemos retorno nenhum. Pagamos um preço altíssimo por combustível, pagamos prestações e juros altos se quisermos possuir um carro – ou alguém da classe média compra carro à vista? – Se assim o for, você já está em outro patamar, meu amigo. Pagamos altíssimo por um seguro, pois não há nenhuma segurança nesse país e assim vamos, pagando, pagando, pagando; correndo, correndo, correndo... E os gatunos atrás de nós...

Aonde vamos chegar? Muito simples, amigo: Muitos nem chegarão, pois certamente sofrerão um infarto antes dos 40, outros morrerão de câncer antes dos 50, pois o que colocamos à nossa mesa está cheio de veneno, agrotóxicos sem controle colocados nas lavouras pelos grandes produtores que só visam lucro. Alimentos industrializados que são verdadeiras bombas químicas que, ao longo do tempo, vão destruindo nossas células e nossa saúde. Os que restarão, chegarão a uma aposentadoria mísera depois de morrer de trabalhar pagando impostos e à Previdência Social para ter um salário de fome que não dá nem para comprar os inúmeros remédios para aliviar um pouco as doenças oriundas de uma vida de sacrifícios e trabalho desmedido.

E os outros? Sim, aqueles que não se enquadram na classe média, os pobres e os ricos. Os ricos... ah, esses sempre sabem como burlar o sistema tributário para se livrar dos altos tributos. E os pobres? A maioria esmagadora continuará pobre conformada com as muitas bolsas-auxílio que recebem e continuarão sugando o suor de quem trabalha, outra parte descontente com o pouco que governo lhes dá, tornar-se-ão a pior espécie humana, os bandidos. Esses não sugarão apenas suor, mas o próprio sangue da classe média quando não o derramam sobre o chão de nossas cidades caóticas.

Diante desse cenário, para onde ir? Algumas mentes abertas para a educação financeira que aprenderão a não se dobrar às armadilhas do consumo como quer o governo, conseguirão sair da corrida dos ratos trabalhadores e serão empreendedores, investidores, donos de grandes negócios. 

Mas a grande, a esmagadora maioria da classe média terá o mesmo triste fim... Portanto, se você quiser sair pela tangente dessa corrida maluca, abra os olhos e a mente, não seja hamster correndo sem sair do lugar e nem seja rato correndo dos gatunos que são muitos no Brasil e que lhe pegarão onde quer que você vá.

Nunca antes, nesse país, aquele velho ditado fez tanto sentido: “Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come.” Miaauuuuuuu!

Você pode deixar de ser rato, mas ninguém o fará por você!

19 de abril de 2010

Combate à Pedofilia na Igreja


   
    Ficamos estarrecidos recentemente com os noticiários que apontam o Monsenhor Luiz Marques e outros sacerdotes da cidade de Arapiraca, Diocese de Penedo - AL, como padres pedófilos. Foi triste ver as matérias veiculadas na televisão, nas manchetes de jornais e rádio. Principalmente quando me recordo da infância quando nem energia elétrica existia onde eu nasci e ouvíamos todos os domingos a missa celebrada por Monsenhor Luiz, que apresentava forte sinal de ortodoxia evangélica. Mais triste ainda é ver atitudes tão monstruosas contra crianças e adolescentes causadas por um sacerdote da igreja. E temos visto situações como esta quase todos os dias em alguma parte do mundo.
          
     Nosso total repúdio a este tipo de procedimento que precisa ser punido exemplarmente. Hoje a televisão divulgou a prisão do Monsenhor Luiz Marques. É preciso que haja sim punição não somente pela justiça, mas também pela igreja, não dá mais para ficarmos acompanhando este tipo de covardia ser simplesmente perdoado em uma confissão. O dano precisa ser reparado, a própria igreja diz isso no seu Catecismo. É preciso que haja reparação e punição para todos os autores dessa torpeza.

     E quanto aos coroinhas, creio que haverá um receio muito grande por parte dos pais. Acredito também que a igreja deveria abolir de uma vez por todas os coroinhas - crianças e adolescentes - e que o serviço de ajuda aos sacerdotes fosse executado por acólitos e seminaristas tendo em vista a gravidade e o grande número de padres pedófilos que se somam a cada dia. Eu particularmente, não permitiria a um filho meu ser coroinha nos dias de hoje.

***

       Lembro-me quando era criança de como tínhamos respeito e veneração pelos padres. Durante muito tempo, até alguns anos de minha adolescência, nutri um desejo de tornar-me padre, de servir a Deus integralmente. Desejo este que pouco a pouco foi cedendo lugar para outras funções e para as profissões que abracei. No entanto, o respeito e a admiração pelos sacerdotes sempre estiveram comigo. Durante muitos anos, como participante ativo da Renovação Carismática Católica da Diocese de Palmeira dos Índios, dei palestras, realizei orações, defendi os sacerdotes da igreja com muito respeito e carinho.

       Guardo na memória boas recordações de grandes sacerdotes, de verdadeiros servos de Deus com vocação e carisma. Várias vezes, na Capela do Colégio Cristo Redentor, fiz homenagens ao Padre Adalto que celebrava para os jovens naquela capela. Muitos outros grandes servos de Deus de nossa diocese nos enchem de alegria e de "orgulho". Recordo-me do período em que dirigi o grupo de oração da Igreja de São Vicente de Paulo, onde bebia das homilias do Padre Francisco Falcão com sua sabedoria e persuasão na missa que antecedia o referido grupo.

       Dentre tantos outros sacerdotes, gostaria de citar o Padre Thiago Henrique Soares com seu ardor missionário e sabedoria tem atraído muitos jovens para escutar a Palavra de Deus.
         Temos uma série de exemplos de bons e excelentes sacerdotes em nossa diocese e em toda a igreja, não podemos centralizar nossos sentimentos nos sacerdotes pedófilos, naqueles que não têm vocação que, por um ou outro motivo resolveu entrar para o sacerdócio. Nem tampouco podemos colocar toda a culpa da pedofilia no celibato, porque se assim fosse, não haveria pedófilos fora da igreja. E temos visto que esta mazela está espalhada por todos os setores da sociedade.
      
     Precisamos rezar pela santidade dos sacerdotes, mas também precisamos cobrar punição e correção para os desviados.

          Segue um artigo de Dom Odilo Scherer acerca dos últimos acontecimentos na igreja.



POR CARDEAL ODILO PEDRO SCHERER
As notícias sobre pedofilia, envolvendo membros do clero, difundiram-se de modo insistente. Tristes fatos, infelizmente, existiram no passado e existem no presente; não preciso discorrer sobre as cenas escabrosas de Arapiraca… A Igreja vive dias difíceis, em que aparece exposto o seu lado humano mais frágil e necessitado de conversão. De Jesus aprendemos: “Ai daqueles que escandalizam um desses pequeninos!” E de São Paulo ouvimos: “Não foi isso que aprendestes de Cristo”.
 As palavras dirigidas pelo papa Bento XVI aos católicos da Irlanda servem também para os católicos do Brasil e de qualquer outro país, especialmente aquelas dirigidas às vítimas de abusos e aos seus abusadores. Dizer que é lamentável, deplorável, vergonhoso, é pouco! Em nenhum catecismo, livro de orientação religiosa, moral ou comportamental da Igreja isso jamais foi aprovado ou ensinado! Além do dano causado às vítimas, é imenso o dano à própria Igreja.
 O mundo tem razão de esperar da Igreja notícias melhores: Dos padres, religiosos e de todos os cristãos, conforme a recomendação de Jesus a seus discípulos: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles, vendo vossas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus!” Inútil, divagar com teorias doutas sobre as influências da mentalidade moral permissiva sobre os comportamentos individuais, até em ambientes eclesiásticos; talvez conseguiríamos compreender melhor por que as coisas acontecem, mas ainda nada teríamos mudado.
 Há quem logo tem a solução, sempre pronta à espera de aplicação: É só acabar com o celibato dos padres, que tudo se resolve! Ora, será que o problema tem a ver somente com celibatários? E ficaria bem jogar nos braços da mulher um homem com taras desenfreadas, que também para os casados fazem desonra? Mulher nenhuma merece isso! E ninguém creia que esse seja um problema somente de padres: A maioria absoluta dos abusos sexuais de crianças acontece debaixo do teto familiar e no círculo do parentesco. O problema é bem mais amplo!
Ouso recordar algo que pode escandalizar a alguns até mais que a própria pedofilia: É preciso valorizar novamente os mandamentos da Lei de Deus, que recomendam atitudes e comportamentos castos, de acordo com o próprio estado de vida. Não me refiro a tabus ou repressões “castradoras”, mas apenas a comportamentos dignos e respeitosos em relação à sexualidade. Tanto em relação aos outros, como a si próprio. Que outra solução teríamos? Talvez o vale tudo e o “libera geral”, aceitando e até recomendando como “normais” comportamentos aberrantes e inomináveis, como esses que agora se condenam?
 As notícias tristes desses dias ajudarão a Igreja a se purificar e a ficar muito mais atenta à formação do seu clero. Esta orientação foi dada há mais tempo pelo papa Bento XVI, quando ainda era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Por isso mesmo, considero inaceitável e injusto que se pretenda agora responsabilizar pessoalmente o papa pelo que acontece. Além de ser ridículo e fora da realidade, é uma forma oportunista de jogar no descrédito toda a Igreja católica. Deve responder pelos seus atos perante Deus e a sociedade quem os praticou. Como disse São Paulo: Examine-se cada um a si mesmo. E quem estiver de pé, cuide para não cair!
 A Igreja é como um grande corpo; quando um membro está doente, todo o corpo sofre. O bom é que os membros sadios, graças a Deus, são a imensa maioria! Também do clero! Por isso, ela será capaz de se refazer dos seus males, para dedicar o melhor de suas energias à Boa Notícia: para confortar os doentes, visitar os presos nas cadeias, dar atenção aos abandonados nas ruas e debaixo dos viadutos; para ser solidária com os pobres das periferias urbanas, das favelas e cortiços; ela continuará ao lado dos drogados e das vítimas do comércio de morte, dos aidéticos e de todo tipo de chagados; e continuará a acolher nos Cotolengos criaturas rejeitadas pelos “controles de qualidade” estéticos aplicados ao ser humano; a suscitar pessoas, como Dom Luciano e Dra. Zilda Arns, para dedicarem a vida ao cuidado de crianças e adolescentes em situação de risco; e, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá, ainda irá recolher nos lixões pessoas caídas e rejeitadas, para lavar suas feridas e permitir-lhes morrer com dignidade, sobre um lençol limpo, cercadas de carinho. Continuará a mover milhares de iniciativas de solidariedade em momentos de catástrofes, como no Haiti; a estar com os índios e camponeses desprotegidos, mesmo quando também seus padres e freiras acabam assassinados.
 E continuará a clamar por justiça social, a denunciar o egoísmo que se fecha às necessidades do próximo; ainda defenderá a dignidade do ser humano contra toda forma de desrespeito e agressão; e não deixará de afirmar que o aborto intencional é um ato imoral, como o assassinato, a matança nas guerras, os atentados e genocídios. E sempre anunciará que a dignidade humana também requer comportamentos dignos e conformes à natureza, também na esfera sexual; e que a Lei de Deus não foi abolida, pois está gravada de maneira indelével na coração e na consciência de cada um.
 Mas ela o fará com toda humildade, falando em primeiro lugar para si mesma, bem sabendo que é santa pelo Santo que a habita, e pecadora em cada um de seus membros; todos são chamados à conversão constante e à santidade de vida. Não falará a partir de seus próprios méritos, consciente de trazer um tesouro em vasos de barro; mas, consciente também de  que, apesar do barro, o tesouro é precioso; e quer compartilhá-lo com toda a humanidade. Esta é sua fraqueza e sua grandeza!


Cardeal  Odilo Pedro Scherer é Arcebispo da Arquidiocese de  São Paulo/SP.
Fonte: Artigo publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, ed. 11. 04.2010.

15 de junho de 2008

Contra a Hipocrisia nas Igrejas

      "Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores" (Mt 7, 15)



      Jesus já advertira sobre os lobos no meio dos cordeiros, ou sobre o joio no meio do trigo. São Paulo também adverte acerca dos falsos irmãos nas comunidades. Desta feita, algumas pessoas inescrupulosas se infiltram nas igrejas e movimentos, expirando um odor de santidade, mas por dentro têm odor de putrefação. É lamentável vermos pessoas que estão na fila da comunhão todos os dias, mas que são mexeriqueiras, "donas" da vida alheia, se acham no direito de julgar as pessoas e, ainda, são capazes de proferirem injúrias e calúnias acerca de "seus irmãos".
      Ora, injúria e difamação são motivos para processos judiciais de acordo com os artigos 139 e 140 do Código Penal Brasileiro, com pena de um a seis meses de detenção e direito a indenização, à parte prejudicada, por danos morais.
      O Catecismo da Igreja Católica nos páragrafos 2475 a 2487 elucida a gravidade das ofensas à verdade. Eis alguns fragmentos destes parágrafos:

      "A mentira consiste em dizer o que é falso com a intenção de enganar". O Senhor denuncia na mentira uma obra diabólica: 'Vós sois do diabo, vosso pai,... nele não há verdade: quando ele mente, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira' (2482) Ferindo a relação do homem com a verdade e com o próximo, a mentira ofende a relação fundante do homem e de sua palavra com o Senhor (2483) Toda falta cometida contra a justiça e a verdade impõe o dever de reparação, mesmo que seu autor tenha sido perdoado (...) Essa reparação moral e às vezes material, será avaliada na proporção do dano causado...(2487)"

      No Cânon 220 do Código de Direito Canônico encontramos:

      "A ninguém é lícito lesar ilegitimamente a boa fama de que alguém goza"

      Desta forma, toda atitude contrária à honra do ser humano é reprvável e condenável pela justiça e pela Igreja.
      Deixamos aqui o nosso repúdio a toda atitude farisaica e covarde desse tipo de gente ao mesmo tempo em que encorajamos a todas as pessoas que assim forem prejudicadas que procurem reunir todas as provas necessárias no intuito de dar uma boa punição a estas pessoas e ser indenizadas devidamente.
      Jesus disse mostrai a outra face, não no sentido de aceitar passivamente as injustiças, mas mostrar a verdade.

      Vamos trilhar no amor, na misericórdia e no respeito uns para com os outros. Isso sim deve ser o Cristianismo!
Edson Marques Brandão

Deus abençoe a todos!

21 de julho de 2007

Política versus religião: a degradação da moral e da ética e a busca da sociedade por respostas que atendam aos seus anseios.


Na conjuntura política atual onde a corrupção parece permear o rol daqueles que foram eleitos pelo povo, daqueles que detém o poder, daqueles que legislam em favor de si mesmos quando deveriam legislar em favor da nação, torna-se cada vez mais crítica a situação do país e mina cada vez mais ois ideais da população por uma sociedade mais justa e igualitária.


Os problemas colossais assolam a nação brasileira. É a saúde pública que pede socorro, a segurança tem medo e põe medo, a educação não mais educa, a infra-estrutura não sai da "infra", pois nada mais se estrutura. São estradas destruídas, rodovias sem condições de tráfego, cidades sem o mínimo de saneamento básico, enfim, o caos. Não há investimentos para implementar a solução destes problemas crônicos, ou quando há, são investimentos isolados que, na sua grande maioria, são abocanhados pelos corruptos e corruptores.

O que se tem veiculado atualmente pela mídia é a vergonha em que o Brasil se encontra, um verdadeiro lamaçal que desponta no cume do iceberg. As inúmeras operações da Polícia Federal têm revelado um universo extremo de vergonha e sujeira no cenário da política nacional. E isso, como foi dito, é apenas a ponta do iceberg. Não se sabe os inúmeros "rombos" que têm sido dado aos cofres públicos. O que vemos é, uma vez ou outra, algo que vem a público e que ilustra apenas a ponta da barbárie brasileira.

Então, nesse universo em que a massa de desempregados, de miseráveis, de uma classe média que se vê sufocada pela carga tributária imensa, pelos juros desleais, onde o empresário não pode ampliar seu quadro de funcionários devido aos altos tributos, é plausível que haja o descrédito pela política como é apontado.

"o mundo está sendo reencantado: o maravilhoso, o miraculoso, o esotérico, exercem uma atração que o político não exerce. Porque na falta das utopias libertárias, precisamos nos apegar a algum sentido da vida. E já que esse sentido não aparece no espaço da subjetividade, da espiritualidade, do transcendente" (BETTO, 2003, p. 183).

Isto que Frei Betto coloca se encaixa profundamente à realidade que vivemos hoje. A política está desacreditada, não tem oferecido solução para os problemas da nação, o Brasil, ao qual nos referimos nesta reflexão. Então, diante de tantas mazelas, de tantos cânceres que estão alojados na estrutura do país, surge o transcendente como uma maneira de propiciar respostas e soluções que aquela não oferece.

Então, olhemos para o cenário das favelas nas grandes cidades, onde predomina a falta de oportunidades, a ausência de todos os direitos possíveis a que o cidadão deveria ter acesso: moradia, escola, saúde, transporte, segurança, saneamento, lazer, esporte, entre outros. A violência e a discriminação ali estão arraigadas.


Como acreditar que a política exerceria um papel de socialização desses indivíduos mormente à conjuntura atual de corrupção e saqueio do dinheiro público? Como acreditar, ainda, diante do lamaçal de falcatruas que aí está?

São questões extremamente instigantes que nos levam a pensar que neste ambiente praticamente inóspito - as favelas, tomadas no nosso exemplo - sejam um celeiro para as múltiplas manifestações transcendentais. O que as vias normais não podem responder nem solucionar, talvez o místico o possa. Não queremos afirmar que isto ocorra apenas nas favelas ou nas populações menos favorecidas. Mas é típico de todo ser humano buscar respostas e soluções, e isto o impulsiona para o transcendental. Então as pessoas buscam o remédio para suas dores mais profundas nas inúmeras manifestações religiosas, principalmente as de cunho neo-pentecostais. 

BETTO afirma ainda que "as pessoas querem uma religiosidade de pret-à-porter, de relação pessoal com Deus (...)". Assim entra-se em contato direto com Deus e Ele responderá aos anseios do indivíduo. "Basta ficar no aleluia, para aliviar o coração, (...) mas nada de amor ao próximo, de justiça social, pois isso é coisa de política e não dá para misturar".

Essa dicotomia entre religião e política que BETTO faz questão de colocar que não deve haver separação, pois a religião deve levar a uma ação política, causa-nos uma série de reflexões que precisam ser melhor estudadas e aprofundadas.

O ser humano aspira a esse encantamento, à beleza, ao místico, ao esotérico, e isto tem sido celeiro para que também os corruptores se insiram no meio religioso e arranquem ainda da população menos esclarecida aquilo que a corrupção política ainda não conseguiu tirar. Dizer que numa "Fogueira Santa" você depositará a maior quantia possível para ter seus desejos alcançados, ou induzir a que pessoas que mal possuem o dinheiro do pão saquem de seus bolsos para alimentar o patrimônio das igrejas, talvez seja mais cruel, inclusive, que a corrupção política. Ao menos esta rouba sorrateiramente, enquanto que aquela o faz com argumentação e em nome de Deus.

Assim, a educação esbarra nessa gama de problemas que dificultam cada vez mais a emancipação do indivíduo que jaz nestas situações supracitadas.

Edson Marques Brandão é graduado em Matemática, e pós graduando em Docência do Ensino Superior.